Médicos
se mobilizam para a implantação da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
Médicos de todo o Brasil participaram, no dia 9 de
março, do Dia Nacional de Mobilização
pela Implantação da Classificação
Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos
(CBHPM) no sistema de saúde suplementar. No Rio de
Janeiro, os médicos se reuniram na sede da Sociedade
de Medicina e Cirurgia do RJ. A implantação
da CBHPM nos contratos firmados com as empresas de planos
de saúde deve ser o padrão de referência
ética de remuneração dos procedimentos,
conforme determina a Resolução do Conselho
Federal de Medicina n º 1.673/03. Além disso,
a Classificação representa um avanço
para os pacientes, uma vez que, na atual conjuntura,
as empresas trabalham com uma lista de procedimentos desatualizada
como referência dos métodos de diagnóstico
e tratamentos a serem cobertos.
De acordo com o Diretor de Defesa Profissional da Associação
Médica Brasileira, Eduardo Vaz, a CBHPM foi um trabalho
desenvolvido durante 40 meses pela AMB, com a participação
do Conselho Federal de Medicina, das sociedades de especialidades
e dos sindicatos médicos, que pode ser considerado
como uma nova forma de apresentar o trabalho médico,
uma vez que foi hierarquizada verticalmente e horizontalmente
entre as especialidades.
- A grande importância dessa Classificação
é que ela coloca os procedimentos de acordo com o
seu porte e o seu valor real e também traz novos
procedimentos. Nos últimos cinco anos, vários
procedimentos surgiram na Medicina, procedimentos esses
que hoje são fundamentais e que não estavam
contemplados nas listas anteriores. Agora, temos a tarefa
de implantar essa Classificação, inclusive,
fazendo com que a Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) a incorpore como rol de procedimentos
– observou.
As operadoras, acrescentou Eduardo Vaz, têm argumentado
muito sobre os custos da implantação, mas
nós sabemos que não é tanto assim.
A Classificação está simplesmente corrigindo
parcialmente a defasagem dos honorários. Nos últimos
oito anos, os planos de saúde tiveram autorização
da ANS para aumentar, em média, 171% as mensalidades
dos usuários, enquanto que os médicos não
tiveram nenhum tipo de reajuste.
- A CBHPM não é um trabalho pronto. A AMB
está aberta às sociedades de especialidades
para que façam qualquer questionamento. Da mesma
forma, a AMB está submetendo a Classificação
para a avaliação dos planos de saúde,
como as Unimeds, a UNIDAS, a FENASEG e outros, para que
eles também possam opinar. É um trabalho que
está em construção, mas que não
invalida a implantação da Classificação.
Essa Classificação não é da
AMB e sim dos médicos, que trabalharam e contribuíram
para a sua elaboração – enfatizou.
“Todo o movimento em torno da implantação
da Classificação Hierarquizada é benéfico,
porque gera uma necessidade de se resgatar o controle do
médico sobre a sua própria profissão.
O médico volta a determinar quanto vale o seu trabalho,
retornando assim a dignidade profissional, que ultimamente
vem sendo tão vilipendiada.”
João Luiz Schiavini, 2º Secretário
da Sociedade Brasileira de Urologia
“A oftalmologia encara com boas perspectivas a
Classificação, porque nota um ganho em algumas
questões pontuais, como por exemplo, o reajuste no
valor da consulta e a definição das cirurgias
de curta permanência. Para a oftalmologia, a única
pendência da Classificação ainda refere-se
aos exames complementares, uma vez que não foi definida
a unidade de custo operacional e, inclusive, não
foram considerados os insumos.”
Nelson Louzada, Coordenador da Comissão
de Honorários Médicos da Sociedade Brasileira
de Oftalmologia
“Para a Ginecologia e Obstetrícia, a Classificação
Hierarquizada é um grande avanço e a sua implantação
é da maior importância. No entanto, não
podemos ignorar distorções que possam ter
ocorrido em outras especialidades. Precisamos harmonizar
os interesses da maioria das sociedades de especialidades
e corrigir algumas distorções para que a classificação
seja implantada com o apoio integral dos médicos.”
Ricardo de Oliveira, Presidente da Sociedade
de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do RJ
“O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado que se mobilizou
e implantou a Tabela AMB/90, que hoje ainda está
em vigor na maioria das operadoras. A Classificação
deve ser discutida entre as sociedades de especialidades
para que possa ser uma proposta que vá acolher o
interesse de todos os médicos. O CREMERJ acredita
que deve haver uma aceitação da Classificação,
a nível regional, de forma ampla e com bastante conhecimento
de todos.”
Márcia Rosa de Araújo, Presidente
do CREMERJ
Proposta da UNIDAS
não atende aos médicos do Rio de Janeiro
A proposta de implantação
da CBHPM apresentada pela UNIDAS – União Nacional
das Instituições de Autogestão em Saúde
vem recebendo críticas em todo o país. No
Rio de Janeiro, as entidades médicas consideraram
a proposta bem aquém de representar qualquer ganho
para os médicos e os serviços, podendo significar
redução de honorários e acentuação
ainda maior da defasagem já existente.
A SOMERJ e as Sociedades de Otorrinolaringologia (SORL/RJ),
Oftalmologia (SBO), Endoscopia Digestiva (SOBED/RJ), Cirurgia
Plástica (SBCP/RJ), Dermatologia (SBD/RJ), Ginecologia
e Obstetrícia (SGORJ), Patologia Clínica (SBPC),
Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV/RJ), Endocrinologia
e Metabologia (SBEM/RJ), Cirurgia Pediátrica (SBCP/RJ),
Reumatologia (SRRJ), Ortopedia e Traumatologia (SBOT/RJ
e ACCOERJ), Colégio Brasileiro de Cirurgiões
e Instituto Brasileiro de Médicos Peritos, enviaram
um documento à AMB e ao CFM mostrando a sua posição.
No documento, as entidades afirmaram que, obrigatoriamente,
todas as empresas componentes da UNIDAS devem se comprometer
a cumprir o acordo, pois, em geral, essas empresas desconhecem
ou descumprem os acordos firmados com a representação
nacional ou regional.
Para as entidades do RJ, deve-se rejeitar valores inferiores
à banda de 20%, de modo que não haja redução
dos valores atuais, considerando a defasagem de vários
anos sem reajustes e a necessidade de hierarquização.
O item, que contém um pretenso compromisso de “não
utilizar do artifício de paralisações
como estratégia negocial”, algo de que não
se pode abrir mão em momento algum, deve ser rejeitado
em sua totalidade.
As entidades ainda ressaltaram que é inaceitável
que sejam incluídas restrições às
negociações por especialidades, o que leva
à rejeição desse trecho da proposta,
uma vez que a CBHPM pressupunha e pressupõe implantação
regional e a existência de bandas, o que caracteriza
e permite flexibilidade negocial.
De acordo com as entidades, a implantação
da CBHPM deve ser negociada em outras bases, após
imprescindível união dos médicos em
formas coletivas de representação, através
das entidades estaduais. Caso contrário, a complexidade
do processo de mudança de tabela e adoção
da CBHPM, na busca mais justa de remuneração,
unificação de nomenclatura e simplificação
burocrática, jamais será alcançada.
Principais pontos da proposta da UNIDAS
1) Aceitação por parte da AMB/CFM
e suas respectivas regionais de um “desconto excepcional
provisório” sobre a banda máxima de
menos 20%, durante o período de transição
que se estenderia de abril até dezembro do corrente,
através da implantação de uma banda
de menos 25% sobre os Portes (HM) e menos 30% sobre a Unidade
de Custo Operacional (UCO), com objetivo de minimizar o
impacto financeiro;
2) Concordância de adoção
da banda de 20% sobre os Portes e UCO, a partir de 01/01/2005;
3) Compromisso por parte das filiadas da
UNIDAS de não redução dos valores atualmente
pagos em alguns locais para determinadas especialidades,
aplicando nesses casos deflatores menores do que os citados
acima;
4) Compromisso da AMB/CFM de interagir
com suas comissões regionais, no sentido de não
se utilizar do artifício de paralisações
de atendimento dos beneficiários das empresas de
autogestão, como estratégia negocial;
5) Aceitação por parte de
AMB/CFM de que a adoção da CBHPM se limitará
aos procedimentos constantes do rol da ANS, exceto para
as filiadas da UNIDAS que já cobrem procedimentos
não constantes do mesmo, para os quais será
usada como referência a CBHPM com os mesmos deflatores;
6) Ratificação do valor de
R$ 19,40 para o metro quadrado do filme radiológico;
7) Reafirmação do papel das
comissões estaduais de negociação da
AMB/CFM e outras entidades médicas como único
órgão interlocutor de representação
institucional a negociar com nossas superintendências
estaduais e desencadear o processo de adoção/implantação
paulatina da CBHPM, a partir de abril/2004, sendo vedadas
as negociações paralelas com as sociedades
de especialidades e/ou filiadas da UNIDAS.